ESTABILIDADE FÍSICA E QUÍMICA DE EMULSÕES DE ÓLEO DE JUSSARA EM ÁGUA

ALINE GABRIELLE ALVES DE CARVALHO

Resumo: A polpa do fruto da palmeira jussara (Euterpe edulis Martius), nativa da Mata Atlântica, pode ser utilizada para a extração de um óleo de elevado valor agregado, especialmente quanto aos teores de compostos bioativos e sua composição nutricional. No presente trabalho foi investigado o óleo de jussara obtido por prensagem ou por extração com etanol, bem como o seu emprego em emulsões de óleo de jussara em água. O óleo de jussara extraído com etanol passou por processo de stripping parcial e quase total de compostos minoritários para investigar a influência destes compostos naturalmente presentes na estabilidade física e química das emulsões, e também com a ação de antioxidante sintético. Foram avaliados os indicadores de qualidade inicial dos óleos, a capacidade antioxidante e a estabilidade oxidativa por Rancimat®. A composição em ácidos graxos e a sua régio-distribuição no triacilglicerol foram realizadas por cromatografia gasosa (CG). A identificação e quantificação dos compostos bioativos (compostos fenólicos, tocoferóis, carotenoides, clorofila e fitoesteróis) e dos triglicerídeos foram realizadas por cromatografia líquida de alta eficiência. Os compostos voláteis foram analisados por CG com detector de massas. A estabilidade física e química das emulsões foi investigada utilizando microscopia óptica, índice de peróxido e estabilidade oxidativa por Rancimat®. Seu comportamento reológico foi caracterizado utilizando reômetro com placas paralelas. As análises de indicadores de qualidade mostraram que os óleos apresentaram qualidade adequada. A estabilidade oxidativa dos óleos mostrou que o óleo extraído com etanol apresenta maior estabilidade. Similarmente, a capacidade antioxidante do óleo extraído com etanol foi maior, indicando que a extração com etanol promoveu extração mais eficaz de compostos antioxidantes. O perfil de ácidos graxos foi similar entre os óleos, sendo o ácido oleico o majoritário. A análise de régio-distribuição mostrou que na posição sn-2 encontram-se os ácidos graxos oleico e linoleico. O teor de compostos voláteis encontrados no óleo de jussara extraído com etanol foi mais de 28 vezes maior que no prensado. Os teores de compostos minoritários nos óleos de jussara extraído com etanol, foram maiores, exceto pelo teor de β-caroteno. Estes resultados indicam que o óleo de jussara extraído com etanol é um óleo mais rico em compostos capazes de protege-lo da oxidação. Os compostos minoritários no óleo de jussara extraído com etanol que foram analisados antes e depois do processo de stripping foram semelhantes aos encontrados na caracterização do óleo. O processo de stripping parcial reduziu os teores de compostos fenólicos, tocoferóis, clorofilas totais e β-caroteno. O processo de stripping quase total eliminou virtualmente os compostos fenólicos e colestanol e, além disso, tocoferóis, clorofilas e β-caroteno e β-sitosterol foram removidos ainda mais. O índice de peróxido das emulsões, que indica seu estágio de oxidação, não variou em função do tempo de armazenamento por até 60 dias. A estabilidade oxidativa apresentou diferenças no tempo de indução entre algumas amostras, tanto no tempo 0 quanto após 60 dias de armazenamento das emulsões. As análises de imagens microscópicas indicam que não houve desestabilização das emulsões até os 60 dias de armazenamento. As análises reológicas mostraram comportamento pseudoplástico em todas as emulsões.

 

VALIDATION OF AN HPLC-DAD METHOD FOR BIOGENIC AMINES DETERMINATION AND DEVELOPMENT OF QUALITY INDEX IN PROBIOTIC YOGURT

CARLA PAULO VIEIRA

Resumo: Aminas biogênicas (ABs) são bases orgânicas de baixo peso molecular de estrutura alifática, aromática e heterocíclica. Adicionalmente, o consumo de alimentos contendo BAs pode causar problemas de saúde, tais como dores de cabeça e palpitação cardíaca. Estes compostos podem ser encontrados em alimentos como produtos naturais ou após processos de fermentação, decomposição e putrefação. Portanto, o nível de ABs pode ser usado como um índice de qualidade de produtos lácteos fermentados e como um critério para a seleção de cultura iniciadora e bactéria probiótica. O iogurte é um produto fermentado obtido a partir da fermentação da lactose com a produção de ácidos orgânicos, tal como ácido lático, sendo muito usado como veículo de cultura probiótica, tal como Lactobacillus acidophilus, pela indústria alimentícia. Contudo, alguns gêneros desses microrganismos têm habilidade de produção de ABs. Além disso, CLAE de fase reversa é a técnica mais amplamente usada e aceita para a análise desses compostos em alimentos. Ainda assim, métodos têm sido aplicados sem validação prévia, apesar de pequenos peptídeos no extrato ácido estarem envolvidos na ausência de resolução, o que interfere na análise de produtos lácteos com um grau de proteólise mais elevado, tal como o iogurte. Contudo, para nosso conhecimento, não foram encontrados estudos na literatura com metodologia padronizada e validada para a quantificação de ABs bem como um índice de qualidade proposto para produtos lácteos. Portanto, no presente trabalho, um método com purificação do extrato foi validado para iogurte seguindo o guia US Food and Drug Administration (US FDA) em termos de seletividade, linearidade, limites de detecção (LD) e quantificação (LQ), precisão, recuperação, robustez e estabilidade. Em adição, os limites de decisão (CCα) e capacidades de detecção (CCβ) foram calculados como recomendado pela Comissão Europeia. Adicionalmente, um índice de qualidade para iogurtes probióticos a partir de diferentes matrizes (vaca e cabra) baseado no método validado para a quantificação de ABs por cromatografia líquida de alta eficiência de fase reversa, acoplada a um detector de arranjo de diodo (FR-CLAE-DAD) foi também proposto. Os resultados do primeiro experimento mostraram a importância da purificação do extrato a fim de obter método mais confiável, preciso e sensível para a quantificação de ABs em matrix láctea fermentada, além de confiabilidade para a aplicação em amostras de iogurtes reais. Os dados do segundo experimento confirmam que o índice de qualidade desenvolvido baseado nas ABs pode ser aplicado em iogurtes probióticos de vaca e cabra.

 

INFLUÊNCIA DO SISTEMA DE PRODUÇÃO E TIPO DE MÚSCULO NA ESTABILIDADE DE COR EM CARNES BRANCAS

FERNANDA MEDEIROS VIANA

A cor é o parâmetro sensorial que mais influencia na aceitação da carne pelo consumidor no mercado varejista. A mioglobina é o principal pigmento responsável pela cor e sua concentração e estado redox influenciam diretamente na estabilidade da cor de carne. Ademais, a combinação de outros fatores intrínsecos e extrínsecos também podem influir neste atributo. Além da importância da concentração de mioglobina e seu estado redox em carne vermelhas, este pigmento pode também influenciar a cor de carnes brancas. O frango representa a origem de carne branca de maior importância global e o aumento da demanda do consumidor por produtos considerados saudáveis ​​tem impulsionado a produção de frangos orgânicos. A diferença na alimentação e manejo de frangos orgânicos pode levar a variações na estabilidade de cor, quando comparado com os convencionais. Neste contexto, o objetivo do primeiro estudo foi avaliar a influência de sistemas de produção orgânicos e não-orgânicos na estabilidade de cor e oxidação lipídica de carne de peito de frango Pectoralis major (PM) armazenada sob refrigeração (4 °C) durante nove dias. Amostras de frangos (n = 4) de sistemas de produção não-orgânico (P1) e orgânico (P2) foram comparados com base em parâmetros físico-químicos (cor instrumental, concentração de mioglobina, atividade de redução da metamioglobina – ARM, pH e oxidação lipídica). Em geral, os frangos P1 apresentaram maiores (P < 0.05) valores de b* e oxidação lipídica que P2, e frangos P2 apresentaram maiores (P < 0.05) valores de a*, ARM e R630/580. A menor estabilidade de cor observada em frangos do sistema de produção não-orgânico quando comparados aos do sistema de produção orgânico pode ser parcialmente relacionada à oxidação lipídica. Portanto, o sistema de produção afeta a estabilidade de cor e lipídica de carne de peito de frango durante o armazenamento. Uma outra importante fonte global de carne branca é a aquicultura que tem demonstrado um aumento nos últimos anos. A tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) é uma das espécies de água doce mais cultivadas em todo o mundo devido às suas características zootécnicas. Esta espécie apresenta músculo escuro em sua linha lateral, que apresenta composição diferente do músculo claro e pode estimular a ocorrência de descoloração da carne durante o armazenamento. O objetivo do segundo estudo foi comparar a estabilidade de cor dos músculos claro (LM) e escuro (DM) de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) armazenados sob refrigeração (4 °C) durante oito dias. As amostras (n = 5) LM e DM foram comparadas com base em parâmetros físico-químicos (cor instrumental, concentração de mioglobina e de lipídios, oxidação lipídica e proteica, ARM e pH). De modo geral, DM demonstrou valores mais elevados (P < 0.05) que LM para a concentração de mioglobina e de lipídios, e para a oxidação lipídica e proteica, o que potencialmente induziu à menor estabilidade de cor observada em DM quando comparado a LM.

 

PROTEÍNAS E PEPTÍDEOS NO LEITE DE NUTRIZES ADOLESCENTES: PROTEÔMICA, ATIVIDADE ANTIMICROBIANA E INFLUÊNCIA DO PERÍODO LACTACIONAL

ISABELE BATISTA CAMPANHON ARAUJO

Resumo: O leite materno possui diversos componentes como imunoglobulinas e peptídeos bioativos que possuem propriedades específicas como proteção contra doenças e estimulação do sistema imune do lactente. As transformações na composição do leite variam de acordo com a lactação. A fração proteica do leite origina peptídeos biologicamente ativos que possuem inúmeras funções. Dentre as funções já descritas, os peptídeos apresentam atividade anti-inflamatória, regulação da função gastrointestinal e atividade antimicrobiana. O objetivo deste trabalho foi analisar proteínas e peptídeos bioativos do leite humano maduro em dois grupos distintos de nutrizes adolescentes saudáveis com diferentes momentos de lactação: com menos de 3 semanas (grupo 1) e acima de 5 semanas de lactação (grupo 2). As amostras foram coletadas de adolescentes (14-19 anos) sem doenças crônicas depois do prévio consentimento. Ao leite coletado foi adicionado inibidor de protease para minimizar a degradação proteica. A seguir, o leite foi centrifugado a 1.500 ×g a 4 ºC por 20 minutos. O leite desengordurado foi separado do creme e estocado a -80 ºC. Os peptídeos menores que 10 kDa foram separados por ultrafiltração e foram analisadas por cromatografia líquida e espectrometria de massas. A fração de baixo peso molecular (≤ 10 kDa) foi testada contra dois microrganismos: Escherichia coli e Staphylococcus aureus, os peptídeos foram identificados por espectrometria de massas. Foram identificadas um total de 532 proteínas neste estudo. A abordagem proteômica revelou um alto grau de variabilidade das proteínas do leite humano maduro, tanto entre as mães adolescentes como entre os dois grupos em diferentes momentos de lactação. As amostras de peptídeos foram capazes de inibir o crescimento de E. coli. Este estudo também sugere que os peptídeos bioativos detectados em várias amostras tenham sido digeridos antes de serem secretados, pois as proteínas precursoras destes peptídeos não foram encontradas nas análises de identificação de proteínas no leite desengordurado. Tais peptídeos bioativos podem derivar da fração menos abundante das proteínas do leite humano. Esta estratégia mostrou-se apropriada, pois permitiu comparar a composição proteica entre os dois grupos de lactação. Como também investigar peptídeos bioativos presentes no leite maduro de mães adolescentes.

 

AVALIAÇÃO DA AÇÃO ESTABILIZANTE DE MUCILAGEM DE CHIA (SALVIA HISPANICA) E DO BIOSSURFACTANTE DE YARROWIA LIPOLYTICA IMUFRJ 50682 EM SUCO VERDE

JULLY LACERDA FRAGA

Resumo: O Suco Verde é uma mistura de suco de fruta, verduras e hortaliças, que tem sido comumente utilizado por consumidores que buscam alimentos saudáveis. Neste presente estudo foi realizada a caracterização físico-química e bromatológica do Suco Verde. A fim de obter um melhoramento da aparência e consistência da bebida foi adicionada a formulação o biossurfactante produzido pela levedura Yarrowia lipolytica e a mucilagem de Chia liofilizada (Salvia hispânica). A concentração de compostos fenólicos totais foi determinada pela metodologia de Folin Ciocalteau e a Atividade Antioxidante Total (AAT) foi determinada por FRAP (Potencial Antioxidante Redutor do Ferro) e ABTS•+ (Método da Captura do Radical -(2,2′-Azinobis-[3-ethylbenzthiazoline-6-sulfonic acid])- ABTS•+). O teor de fenólicos do Suco Verde (2833,60 ± 427.35 mg EAG (ácido gálico equivalente)/ g de suco) foi próximo a extratos de morango (2909,48 ±155.96 mg EAG/ Kg) (Pineli et. al. 2011). A Atividade Antioxidante Total do suco verde foi 323,62 ± 0,02 µM Fe2SO4 / g de suco e 333,11 ± 0,01 µM Trolox/ g de suco para ABTS•+. Os valores de AAT foram similares ao encontrado para o extrato aquoso de Açaí (Euterpe oleracea), (Rufino, 2008). A formulação do suco verde testada apresentou propriedades nutritivas e se mostrou uma boa fonte de compostos antioxidantes. A mucilagem de Chia foi o melhor agente bioemulsionante sendo capaz de estabilizar a formulação do suco verde a partir da concentração de 2mg/ mL apresentando o índice de decantação de 2,30 ± 3,25, não diferindo com significância da concentração testada de 3mg/ mL (0,00 ± 0,00). O suco verde apresentou um comportamento reológico de um fluído Newtoniano a Pseudoplástico se ajustando melhor ao modelo de Newton. Os bioemulsionantes testados foram eficazes em alterar as estrutura física do suco verde, gerando mudanças significativas (p < 0.05) no valor do módulo de armazenamento indicando o espessamento do fluído. Os parâmetros colorimétricos do suco verde foram alterados com a adição dos bioemulsionantes, principalmente a luminosidade para a mucilagem de Chia e a diferença total de cor para o YlBio. Mas, provavelmente estas mudanças não são visivelmente perceptíveis aos consumidores.

 

AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA E DE BENZENO EM REFRESCOS INDUSTRIALIZADOS À BASE DE GUARANÁ

MARSELLE MARMO DO NASCIMENTO SILVA

Resumo: Refrescos industrializados constituem um ecossistema único, capaz de inibir a multiplicação dos micro-organismos patogênicos e deterioradores, principalmente devido à elevada acidez, baixa concentração de oxigênio e presença de conservantes. Microbiologicamente, os problemas causados nesse tipo de produto devem-se, geralmente, à atividade de leveduras ou bactérias acidófilas. O uso de conservantes químicos em alimentos vem sendo alvo de discussões, pois pouco se sabe sobre como eles interagem na matriz alimentícia. Uma das interações que vem sendo alvo de pesquisas é aquela entre o benzoato de sódio e o ácido ascórbico, ambos comumente adicionados na formulação de refrescos industrializados, levando à formação de benzeno. Quatro lotes em triplicata de três marcas distintas (A, B e C) de refrescos de guaraná (dentro e fora do prazo de validade comercial), em suas versões convencional e de baixa caloria (totalizando 144 unidades amostrais), foram analisados microbiologicamente para presença de bactérias lácticas e leveduras resistentes a conservante, e toxicologicamente para a quantificação de ácido benzóico e de benzeno. Não foram encontradas bactérias lácticas nem leveduras resistentes a conservante. Foram isoladas bactérias acéticas a partir das duas versões, convencional e de baixa caloria, de amostras da marca A em três dos lotes analisados. Nove lotes, seis da marca B e três da marca C, apresentaram quantidade de ácido benzóico superior a 500 mg.mL-1, valor máximo estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para este conservante. Nove lotes de produtos analisados, dentre as três marcas avaliadas, tiveram concentração de benzeno acima de 5 mg.L-1, concentração máxima estabelecida pelo Ministério da Saúde para a água de consumo humano. Os resultados encontrados são preocupantes e podem ser reflexo da falta de controle de qualidade nas indústrias fabricantes dos produtos.

 

AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA E DO PODER SURFACTANTE DAS SAPONINAS DO JUÁ (Ziziphus joazeiro) MODIFICADAS ENZIMATICAMENTE
NATÁLIA NEY LYRIO
Resumo: Saponinas são glicosídeos encontrados, principamente, em vegetais superiores, mas também em alguns animais marinhos invertebrados. Possuem um esqueleto triterpênico ou esteroidal ligado a cadeias de açúcares através de uma ou mais ligações glicosídicas. A estrutura das saponinas apresenta característica anfifílica, o que faz com que essas substâncias apresentem propriedades surfactantes. Neste trabalho, investigaram-se as saponinas triterpênicas do juá (Ziziphus joazeiro), avaliando-se não só seu poder tensoativo, através da determinação da sua concentração micelar crítica (CMC) e do seu índice de emulsificação 24 horas (IE24), como também sua atividade antimicrobiana, pela determinação da concentração inibitória mínima (MIC) contra Salmonella choleraesuis (ATCC 10708), Escherichia coli (ATCC 8739), Pseudomonas aeruginosa (ATCC 9027), Staphylococcus aureus (ATCC 6538), Bacillus subtilis (ATCC 6633) e Candida albicans (ATCC 10231). Posteriormente, as saponinas do juá foram submetidas a reações de hidrólise enzimática por três enzimas comerciais: Viscozyme L (celulases e hemicelulases), Ultrazym AFPL (pectinases) e Celluclast 1.5L (celulases). As condições reacionais utilizadas foram pH 5, temperatura 50ºC, rotação 200 rpm, concentração de saponina igual a 1%, enzima 5% (v/v) e tempo reacional mínimo de 24 horas. Os produtos das reações foram caracterizados por HPLC-MS e avaliados quanto às propriedades surfactantes e antimicrobiana. A Celluclast foi a enzima que mais produziu compostos hidrolizados. Não houve alteração das propriedades surfactantes após a modificação enzimática das saponinas. As saponinas originais do juá apresentaram atividade contra C. albicans em concentrações entre 2,5 e 0,313 mg/mL, mas não apresentaram atividade contra nenhuma das bactérias testadas. As saponinas modificadas não apresentaram atividade contra nenhum dos micro-organismos testados. Observou-se uma relação entre a MIC e a CMC, indicando que o poder antimicrobiano de compostos surfactantes depende de como as moléculas se encontram em solução: na forma livre ou em micelas.

 

AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DE EXTRATOS DE Dioscorea piperifolia FRENTE À MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS
PAULA MONTEIRO LOPES
Resumo: O gênero Dioscorea é o mais importante da família Dioscoreaceae, apresentando cerca de 600 espécies. Os múltiplos usos em que essas são empregadas fazem desse gênero um dos mais valiosos e amplamente utilizados no mundo. O objetivo do presente trabalho foi realizar a atividade antimicrobiana de Dioscorea piperifolia, bem como avaliar a citotoxicidade, o tempo de morte e visualizar a presença de substâncias ativas. As folhas e tubérculos de D. piperifolia foram submetidos a extração com solventes de polaridade crescente (hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol), a solução foi concentrada até resíduo em rotaevaporador e solubilizada em DMSO na concentração de 100mg/mL. Os extratos foram submetidos ao screening de 4 microrganismos (Escherichia coli, Staphylococcus aureus resistente à meticilina, Candida albicans e Cryptococcus neorformans), apresentando atividade promissora com valores de concentração inibitória mínima entre 78 μg/mL à 5000 μg/mL. Os extratos hexânico das folhas e DCM e acetato de etila dos tubérculos foram analisadas por cromatografia em camada delgada e bioautografia e apresentaram pelo menos uma região com atividade frente a E. coli e C. neorformans. A atividade citotóxica foi determinada pelo método de inibição do crescimento celular baseados no método do MTT. Os extratos hexânico das folhas e tubérculos e o extrato acetato de etila dos tubérculos apresentaram CMNT de ≥80% das células VERO para concentrações de 78,125 à 312μg/mL. O tempo mínimo necessário para os extratos com valores de CIM considerados como ativos inibirem a ação dos microrganismos variaram de 30 minutos a 2 horas.

 

EFEITO DA ADIÇÃO DE ÁCIDO GÁLICO SOBRE A REAÇÃO DE MAILLARD EM SISTEMAS-MODELO
THAÍSA ABRANTES ELIAS
Resumo: A Reação de Maillard (RM) compreende diversas vias de reações químicas que são essenciais no desenvolvimento de coloração, aroma e flavor característicos de alimentos processados termicamente. O estudo das vias da RM é dificultado em função de sua complexidade, mas a utilização de ferramentas de estudo simplificadas, tais como os sistemas-modelo (SM), auxiliam na elucidação dessa reação. A inclusão de compostos fenólicos em SM permite, portanto, avaliar sua participação na RM, contribuindo para um maior entendimento acerca das potenciais implicações da presença desses compostos na formação de produtos da RM em alimentos. Nesse contexto, o objetivo desse estudo foi avaliar o efeito da adição de ácido gálico (GA) sobre a RM. Prepararam-se SM a partir da mistura de aminoácidos (alanina, arginina, glicina, lisina e prolina) e açúcares (frutose, glicose e sacarose) (0,5 mol/L), contendo ou não GA (0,01 mol/L), em tampão acetato (1 mol/L, pH 5), sob refluxo (125 ºC) por 6 horas. A intensidade do escurecimento foi determinada pela absorbância em 420 nm. A atividade antioxidante (AA) foi avaliada pelos ensaios de FRAP e TEAC. O consumo dos reagentes, bem como a formação de 5-hidroximetilfurfural (5-HMF), foram avaliados por HPLC. Os SM apresentaram as maiores intensidade de escurecimento e AA quando constituídos de glicose e/ou lisina, que foram os reagentes que também apresentaram o maior consumo na RM (p < 0,05). A formação de 5-HMF relacionou-se tanto com o consumo de açúcares quanto com o de aminoácidos, indicando a possível formação desse composto a partir do conjunto de fragmentação de compostos nitrogenados, na etapa intermediária. A menor degradação de lisina em presença do GA, assim como a correlação entre concentração molar de GA e de açúcares (r = 0,743) indicam a provável reação desse composto fenólico com compostos do conjunto de fragmentação de açúcares. A adição de GA promoveu aumentos expressivos (entre 69 % e 486 %) na AA de todos os SM. Quando aquecido isoladamente, o GA não sofreu degradação ou modificação de sua AA, corroborando sua participação na RM e na formação de compostos com AA ao longo da reação. A correlação entre a concentração molar de GA e AA na ausência dos SM contendo glicina (r < -0,726) sugeriu a formação de compostos com atividade pró-oxidante nesses SM. Os resultados obtidos no presente estudo evidenciaram, pela primeira vez, a participação do GA na RM, contribuindo para o entendimento da formação de substâncias derivadas de compostos fenólicos via RM.

 

ÓLEO DA AMÊNDOA DE BARU (Dipteryx alata Vog.): OTIMIZAÇÃO DA EXTRAÇÃO POR CO2 SUPERCRÍTICO E COMPOSIÇÃO QUÍMICA

VANESSA OLIVEIRA DI SARLI PEIXOTO

Resumo: O objetivo deste estudo foi investigar a influência das condições de extração por CO2-supercrítico (CO2-SC) sobre a estabilidade oxidativa e a composição química do óleo da amêndoa de baru. Inicialmente foi realizado um planejamento fatorial completo 24 com pontos centrais, utilizando como variáveis independentes pressão, temperatura, co-solvente e concentração de co-solvente para determinar as variáveis mais importantes na extração do óleo da amêndoa de baru. O óleo extraído por CO2-SC com as condições de 50 ⁰C, 300 bar e 0% de co-solvente, apresentou o maior rendimento de extração (36,9%) e o maior rendimento de extração de γ-tocoferol (58,7 mg/kg). Contudo, o óleo extraído por CO2-SC nas condições de 70 °C, 100 bar e 10% de etanol como co-solvente apresentou a maior estabilidade oxidativa (20,3 h). Ao analisar os melhores e piores óleos selecionados extraídos por CO2-SC e o óleo obtido por prensagem mecânica, observou-se que aqueles extraídos por CO2-SC sem o uso de co-solvente apresentaram maior capacidade antioxidante total (1,68 ± 0,10 mmol ET/kg de amostra), além do maior conteúdo de tocoferóis totais (23,4 ± 0,3 mg/100g de óleo), de fitoesteróis totais (802,3 ± 12,9 mg/100g de óleo), de fenólicos (9,62 ± 0,74 mg/100g de óleo) e do melhor perfil de voláteis (sem a presença de compostos da oxidação lipídica). Nestas condições, as variáveis que influenciaram os fatores de resposta foram temperatura e a pressão. As variáveis co-solvente e concentração de co-solvente não influenciaram tanto na qualidade oxidativa quanto na composição de bioativos do óleo da amêndoa de baru. Estabelecida as variáveis independentes que mais influenciaram as variáveis de resposta, foi realizado o planejamento experimental de delineamento composto central rotacional (DCCR) a fim de otimizar a extração por CO2-SC. Esse planejamento determinou que as condições mais indicadas na extração por CO2-SC do óleo da amêndoa de baru foram as de 64 ⁰C e 341 bar. Essa condição apresentou o maior rendimento de extração de óleo (37,4%) e de γ-tocoferol (162,0 ± 1,21 mg/kg de amêndoa) comparado as outras condições de extração por CO2-SC do planejamento DCCR. Desta forma, na condição selecionada para a extração do óleo da amêndoa de baru por CO2-SC obteve-se um óleo com melhor estabilidade oxidativa e bioativa comparada às outras condições de extração por CO2-SC.

 

AFLATOXINAS EM CASTANHA-DO-BRASIL (Bertholletia excelsa H. B. K): ANÁLISE, OCORRÊNCIA NO MERCADO DE VAREJO NO RIO DE JANEIRO E DESCONTAMINAÇÃO DE SEU EXTRATO POR VIA BIOTECNOLÓGICA
YURI PEREIRA SOUZA
Resumo: A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa H. B. K.) é uma das plantas mais importantes da Amazônia devido ao seu valor ecológico, social, econômico e alimentar. Durante o período de pós-colheita da castanha-do-Brasil, fungos podem estar presentes naturalmente no ambiente de sua produção. Algumas espécies de fungos são produtoras de micotoxinas, no caso da castanha, as aflatoxinas (AF). Micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por fungos denominados toxigênicos. Métodos analíticos utilizados para o monitoramento de micotoxinas devem apresentar resultados precisos e confiáveis. A validação de métodos analíticos é desta forma uma importante ferramenta para dar suporte às análises dando qualidade e confiabilidade aos resultados gerados. Além disso, Alimentos contaminados por AF podem ser descontaminados através de métodos físicos, químicos e biológicos. O presente trabalho apresenta uma validação intralaboratorial de análise de AF em castanha-do-Brasil por Cromatofrafia Líquida de Alta Eficiência por detector de Fluorescência (CLAE-F). 21 amostras de castanha-do-Brasil provenientes do comércio varejista do Rio de Janeiro foram analisadas. Ensaios de descontaminação biológica foram realizados nos extratos hidrossolúveis de castanha-do-Brasil naturalmente contaminados utilizando cepas de Lactobacillus rhamnosus (ATCC 10863) e Rhodococcus erythropolis (ATCC 4277) por períodos de 24 e 48 h. O método foi validado e considerado adequado. Das 21 amostras analisadas três amostras (14%) estavam acima dos Limites Máximos Toleráveis (LMT) estabelecidos pela legislação brasileira. Os valores de AF totais encontrados nessas amostras foram 28,17 μg/kg, 45,49 μg/kg e 54,41 μg/kg. O extrato da castanha-do-Brasil hidrossolúvel incubado com o Lactobacillus. rhamnosus (ATCC 10863) não apresentou redução na concentração das AFB e G em nenhum dos períodos de incubação estudados. Resultados diferentes foram observados para o extrato hidrossolúvel de castanha-do-Brasil incubados com o Rhodococcus erythropolis (ATCC 4277) que apresentaram uma redução estatisticamente significativa na concentração de AF G1 (17%) após 24 h de incubação,
dobrando após 48 h de incubação (34%). Quanto à AF G2, sua concentração tendeu a sofrer redução após 24h de incubação. Contudo, só houve uma redução estatisticamente significativa (20%) após 48h de incubação não ocorrendo reduções nos níveis das AFB1 e B2.