METABOLÔMICA POR RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR DO SORO MATERNO, DO SORO DO CORDÃO UMBILICAL E DA PLACENTA: variação durante a gestação e o efeito da suplementação com óleo de peixe

CAMILA MARCOLONGO GOMES CORTAT

Resumo: O objetivo do trabalho foi investigar os efeitos da suplementação de óleo de peixe, fonte de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa EPA e DHA, sobre o metaboloma do soro materno, do soro do cordão umbilical e da placenta em gestantes obesas, por ressonância magnética nuclear. A mesma abordagem foi utilizada para caracterizar o perfil metabólico do soro materno, do soro do cordão umbilical e da placenta de gestantes eutróficas e obesas controle, que não receberam intervenção de EPA e DHA ao longo da gestação. O perfil metabólico no soro materno, no soro do cordão umbilical e na placenta foi semelhante. Porém, no soro das gestantes obesas suplementadas com óleo de peixe foi observado, ao longo da gestação, um aumento menos acentuado de lipídios, de aminoácidos e de metabólitos precursores da gliconeogênese, comparado aos outros grupos de gestantes. Em relação ao metaboloma do soro do cordão umbilical, para a maioria dos metabólitos não foram encontradas correlações significativas com o soro materno do terceiro trimestre de gestação no grupo de gestantes obesas e no de eutróficas. Esses resultados sugerem a ação do metabolismo placentário na transferência de nutrientes para o feto. Nas placentas do grupo de gestantes que recebeu intervenção de EPA e DHA foi observada maior concentração de aminoácidos, de metabólitos envolvidos no metabolismo energético e de fosfolipídios, e uma tendência à maior concentração de metabólitos envolvidos no metabolismo de 1 Carbono, comparado com as gestantes eutróficas. A análise dos fluxos das vias metabólicas nas amostras de placenta entre metabólitos envolvidos no estado redox placentário, no metabolismo de glicose, oxidativo mitocondrial e de síntese de ATP apresentou resultados que sugerem que as placentas das gestantes suplementadas com óleo de peixe apresentaram melhor controle redox, portanto mais protegidas quanto ao estresse oxidativo e maior capacidade oxidativa. Logo, a suplementação com óleo de peixe ao longo da gestação promoveu mudanças no metaboloma do soro materno e da placenta, as quais sugerem que o ambiente materno-fetal pró-inflamatório e pró-oxidante causado pela obesidade foi atenuado.

 

EXTRAÇÃO ASSISTIDA POR ULTRASSOM E MICROENCAPSULAÇÃO POR SPRAY DRYING DE COMPOSTOS FENÓLICOS DO BAGAÇO DE UVA

KAREN ELBERT LEAL MAZZA

Resumo: O bagaço de uva é o principal resíduo da indústria vitivinícola e apresenta um alto teor de compostos fenólicos com potencial antioxidante. Diferentes técnicas têm sido utilizadas para extração e preservação destes compostos. Este trabalho teve como objetivo obter um extrato em pó rico em compostos fenólicos, a partir de bagaço de uva, utilizando os processos de extração assistida por ultrassom e microencapsulação por spray drying. O bagaço, obtido a partir da produção de espumante, foi seco, moído e submetido a extração hidroetanólica assistida por ultrassom. Avaliou-se a influência da potência (1000 a 3000 W/L), concentração de ácido cítrico (0 a 3%) e razão sólido: líquido (S:L) (1:5 a 1:15) sobre a recuperação de compostos fenólicos, incluindo as antocianinas, e atividade antioxidante. O extrato obtido nas melhores condições foi caracterizado por CLAE-DAD e microencapsulado por spray drying, utilizando como agentes encapsulantes misturas de maltodextrina 5DE com gelatina, com goma arábica e com isolado de proteína de soro de leite (1:1). Foram identificadas as seguintes substâncias: delfinidina-3-glicosídeo, cianidina-3-glicosídeo, petunidina-3-glicosídeo, peonidina-3-glicosídeo, malvidina-3-glicosídeo, ácido gálico, ácido protocatecuico, catequina, ácido vanílico, ácido siríngico, epicatequina, ácido p-cumárico, ácido elágico, rutina, miricetina, quercetina, kaempferol e isorhamnetina. Entre as condições avaliadas no planejamento experimental, as extrações mais eficientes ocorreram quando foram aplicadas maiores potências de ultrassom, maiores concentrações de ácido e maior volume de solução. O teor de antocianinas monoméricas presentes nos extratos obtidos por ultrassom variou de 453±6 a 685±11 mg malvidina-3-glicosídeo.100 g-1 de bagaço; o teor de compostos fenólicos totais variou de 6.485±40 a 11.732±126 mg ácido gálico equivalente (AGE).100 g-1 de bagaço; a atividade antioxidante pelas metodologias ORAC e ABTS variou de 230±1 a 516±17 μmol Trolox.g-1 e de 442±37 a 939±110 μmol Trolox.g-1, respectivamente. A condição mais adequada, dentro dos limites avaliados, foi de 3000 W/L de potência, 2,5% de ácido cítrico e uma razão S: L de 1:15. O ultrassom mostrou-se uma alternativa promissora para a extração de compostos antioxidantes do bagaço de uva. O processo por spray drying provou ser eficiente na microencapsulação e retenção de compostos fenólicos, incluindo as antocianinas, preservando-as de forma mais eficiente do que o extrato líquido.

 

CARACTERIZAÇÃO DA COMPOSIÇÃO QUÍMICA E ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DO CERRADO, DE ESPÉCIES DAS FAMÍLIAS ASTERACEAE E VERBENACEAE

MARCELLY CRISTINA DA SILVA SANTOS

Resumo: Este é um trabalho de bioprospecção, onde o intuito maior foi caracterizar novas espécies aromáticas nativas do bioma (Cerrado Distrito Federal e Goiás) e determinar a atividade antimicrobiana dos óleos essenciais obtidos de espécies vegetais pertencentes às famílias (Asteraceae e Verbenaceae). O Cerrado possui um dos biomas mais ameaçados do País e, mesmo sendo uma das savanas mais ricas do mundo, tanto a flora quanto a fauna ainda são pouco estudadas, se tornando de grande importância a ampliação do conhecimento de uma das principais reservas de biodiversidade do planeta. As espécies aromáticas coletadas (Baccharis reticularia DC, Hoehnephytum trixoides (gardner) Cabrera, Lippia sp e Lippia lacunosa) foram submetidas à extração por hidrodestilação, posteriormente analisadas por cromatografia em fase gasosa com detector de ionização de chama (CG-DIC) e cromatografia em fase gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). Os óleos essenciais foram identificados e apresentaram de 28 a 65 substâncias em sua composição. Pode-se observar na composição dos óleos a presença de monoterpenos, monoterpenos oxigenados, sesquiterpenos, sequiterpenos oxigenados e em destaque apenas um diterpeno (Kaureno), sendo os majoritários o linalol (59%), carvacrol (cerca de 50%), timol (21%), e espatulenol (cerca de 25%). A atividade antimicrobiana dos óleos foi determinada pelo método de difusão em poços frente as bactérias Listeria monocytogenes e Salmonella enterica sovar Enteritidis, com os melhores resultados de comprometimento do crescimento bacteriano caracterizado pelas amostras DBS81 (Lippia lacunosa), RFV2479-A (Hoehnephytum trixoides(gardner) Cabrera) e RFV2495-4 (Baccharis reticularia DC). A determinação da concentração inibitória mínima (CIM) foi realizada frente as bactérias Staphylococcus aureus meticilina resistente (MRSA) e Escherichia coli, e os fungos Candida albicans e Cryptococcus neoformans; e obteve-se os melhores resultados para as amostras DBS81 (78-156g/mL), RFV2479-A (156g/mL) e RFV2495-4 (156g/mL). Conseguiu-se comprovar por bioautografia, a atividade inibitória do sesquiterpeno espatulenol frente a C. albicans e MRSA. Com os melhores resultados de atividade antimicrobiana para os seguintes óleos essenciais: DBS81 (Lippia lacunosa), RFV2479-A (Hoehnephytum trixoides (gardner) Cabrera) e RFV2495-4 (Baccharis reticularia DC), óleos estes que apresentaram como compostos majoritários: timol, carvacrol e espatulenol.

 

TEORES DE COMPOSTOS FENÓLICOS, MINERAIS, FITATO E FIBRA ALIMENTAR EM FEIJÕES PRETOS (PHASEOLUS VULGARIS L.) ORGÂNICO E CONVENCIONAL

NATHÁLIA MARTINS BOMFIM BARRETO

Resumo: Os feijões (Phaseolus vulgaris L.) são amplamente produzidos e consumidos no Brasil. Os teores de nutrientes e compostos bioativos de feijões podem ser influenciados pelo sistema de produção. Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar a influência de sistemas de produção orgânico ou convencional na composição centesimal, mineral e perfil fenólico de feijão preto brasileiro. As amostras de feijão preto orgânico e convencional foram obtidas dos mesmos períodos de colheita e de locais geográficos próximos nas regiões metropolitana (n = 2) e litorânea (n = 2) do estado do Rio de Janeiro, Brasil. A composição centesimal e mineral foi determinada de acordo com AOAC (2000). A análise de fitato foi realizada através de extração em coluna de troca iônica e o teor determinado em espectrofotômetro após reação colorimétrica. Os compostos fenólicos solúveis e insolúveis foram analisados ​​por HPLC-DAD-MS. Os resultados foram comparados por testes t não pareado usando o software GraphPad Prism e considerados significativos quando p <0,05. Em ambas as regiões, os feijões orgânicos apresentaram 17% menos lipídios e 23% mais conteúdo de proteínas mais alto quando comparados aos feijões convencionais. O comportamento da composição mineral dos feijões não foi consistente em relação ao modo de produção. O solo de cada região parece afetar a composição mineral das amostras. No entanto, os feijões orgânicos apresentaram maiores teores de fitato em comparação com os feijões convencionais, em ambas as regiões. Delfinidina-3-O-glicosídeo, petunidina-3-O-glicosídeo e malvidina-3-O-glicosídeo foram os principais compostos fenólicos solúveis. Os principais compostos fenólicos insolúveis foram ácidos gálico, ferúlico e sinápico, quercetina-3-O-glicosídeo e miricetina-3-O-glicosídeo (hidrólise alcalina) e miricetina e delfinidina (hidrólise ácida). O perfil dos compostos fenólicos diferiu entre sistemas de produção e regiões. Em ambas as regiões, os teores de fenólicos solúveis (56% dos fenólicos totais) foram consistentemente maiores (25%) em grãos orgânicos do que os convencionais. Por outro lado, as diferenças entre os conteúdos de fenólicos insolúveis não foram consistentes entre sistemas de produção e regiões. Como um todo, os feijões orgânicos apresentaram conteúdo fenólico de 22% superior ao das amostras convencionais. Em conclusão, nossos resultados sugerem que o sistema de produção orgânica melhora a qualidade nutricional e funcional dos feijões pretos.

 

DESENVOLVIMENTO DE FILMES À BASE DE BIOPOLÍMEROS PARA APLICAÇÃO COMO EMBALAGENS INTELIGENTES

PAMELA FREIRE DE MOURA PEREIRA

Resumo: O desenvolvimento de embalagens para alimentos, capazes de indicar deterioração, é promissor e ainda muito recente, principalmente no que se refere ao uso de corantes naturais incorporados a biopolímeros. Essa associação pode auxiliar na redução do impacto ambiental causado pelo descarte indevido das embalagens. Pode também possibilitar a atuação do material como ferramenta de monitoramento da qualidade do produto e contribuir para a segurança de alimentos. Nesse trabalho, filmes de quitosana (CS) e curcumina (Cur) foram preparados por casting e caracterizados. Celulose microcristalina (MCC) e uma mistura eutética (DES), constituída de cloreto de colina e glicerol, foram incorporadas como agente de reforço e plastificante, respectivamente. A influência da variação da concentração de MCC e de DES sobre as propriedades dos filmes foi investigada. O teor de MCC (2,66 g/100 mL de solução de CS) e a composição de DES (7,93 g/100 g de CS) foram otimizados. A otimização foi baseada nos melhores resultados para as propriedades permeabilidade ao vapor d’água (WVP), solubilidade em água (WS), tensão máxima na ruptura (εmáx ), alongamento (σmáx ) e de estabilidade térmica. As propriedades reológicas das soluções filmogênicas foram investigadas. A incorporação de MCC aumentou a cristalinidade e a temperatura inicial de decomposição térmica (Tonset ) para os filmes compósitos. O DES contribuiu adicionalmente para a estabilidade térmica e rigidez dos filmes. O aumento da WVP e redução da WS foram observados para os filmes compósitos. Os ensaios colorimétricos, conduzidos em ambiente líquido, revelaram uma alteração de cor acentuada, principalmente em pH maior que 8. Em ambiente gasoso, alterações totais de cor significativas também foram observadas.